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Poesia negra movimenta Espaço Zé Peixe em primeira edição do Slam Mulungu

Mantido pela secretaria de Estado da Inclusão, da Assistência Social e do Trabalho (Seit), o Zé Peixe também foi vitrine para o trabalho de jovens artistas da fotografia, colagem digital e ilustração, em torno da mesma temática
14 de Maio de 2019 | 17:18

A exposição e o consumo de Cultura e Arte tiveram lugar mais uma vez no Espaço Zé Peixe, na última sexta-feira (10), com a realização do Slam Mulungu - batalha de poesia falada e autoral de artistas negros, versando sobre a temática da luta pela igualdade racial. O evento deu lugar à competição de jovens que são verdadeiras promessas no estilo, e contou ainda com a participação e a experiência dos versos de Severo D’Acelino. Mantido pela secretaria de Estado da Inclusão, da Assistência Social e do Trabalho (Seit), o Zé Peixe também foi vitrine para o trabalho de jovens artistas da fotografia, colagem digital e ilustração, em torno da mesma temática. 

“Eu faço um trabalho de afrofuturismo, mais voltado para as questões negras das populações africanas, que eu gosto de pesquisar. Falar da população Hamer, dos aborígenes e também dos intelectuais negros, como a (historiadora, artista e ativista negra) Beatriz Nascimento, que nasceu aqui em Aracaju, fez a vida em São Paulo e que é referência para a militância”, explicou o artista Fellype Cruz, que expôs e comercializou o seu trabalho de colagem digital ao lado dos colegas Thainá Carline, Larissa Vieira (ilustradora), e dos fotógrafos Rouseanny Luiza e Búlúù.

Durante o Slam, os poetas se inscreveram espontaneamente para a disputa no início do evento e foram avaliados por uma espécie de júri, formado por membros da platéia. “Nessa primeira edição do Slam Mulungu, a gente vem abrir as portas para que as pessoas pretas possam se expressar - elas que tanto têm a falar, que tanto sentem -, de forma que elas se sintam importantes, à vontade, falando de suas angústias”, disse Dandara Fernandes, da organização do evento. O primeiro Slam Mulungu foi precedido de uma ‘Vivência Poética’ de composição lírica e arte corporal, no último dia 27 de abril, e novas oficinas do gênero, estão sendo planejadas, para preparar novos poetas e novas poetisas.
 
Segundo Stella Carvalho, ‘slam master’ que apresenta a disputa, a batalha de poesias já acontece há muito tempo em Aracaju, mas não nessa perspectiva racial. “Sabendo do nosso contexto, da origem de como de nosso país, nós percebemos um distanciamento muito grande das pessoas pretas da produção da arte, literatura e a se reconhecer como preta. Então este espaço é para estimular essas pessoas, ampliar a referência dessas pessoas pretas para outras pessoas pretas e não para autores brancos, como acontece em nossa literatura”, disse Stella. O grupo pretende organizar novos eventos, partindo do bairro Centro, onde fica o Zé Peixe, para percorrer as periferias da Grande Aracaju.

Jovens participaram do Slam para fazer suas primeiras exposições e apresentações, como fez Nega Lê. “Enquanto mulher preta, eu expresso o que eu vivo, sinto e penso enquanto estudante, enquanto cidadã crítica. É uma apanhado geral que acaba me afetando e a outras pessoas também”. Veteranos também tiveram seu lugar no evento, a exemplo do ator, escritor e militante negro, Severo D’Acelino. Ele, que declamou poemas, incentivou as novas safras de artistas. “Eu espero que cresça o movimento porque estamos precisando disso. É uma ação multiplicadora, e faz com que diversos núcleos possam ser renascidos do surgimento de diversos espaços na nossa comunidade e a periferia sair. Eu estou gostando, espero que outras apresentações possam surgir nesse mesmo espaço”.

Além de ceder o espaço cultural, a Seit apoiou o evento através da diretoria de Inclusão e Promoção de Direitos. “Nós estamos sempre junto de atividades como esta, protagonizada pelo movimento da juventude negra, uma população normalmente de grande vulnerabilidade social. É importante sempre incentivar que esses jovens possam despertar através da poesia, inclusive com ações empreendedoras envolvendo a sua arte. Para nós, é uma grande oportunidade de diálogo com o movimento social organizado. Não tem como se fazer uma gestão na área de inclusão de direitos, sem fazer com que a sociedade se aproxime de nós”, disse Sonia Oliveira, referência técnica de igualdade racial, povos e comunidades tradicionais da Seit.

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