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Fapitec apoia pesquisa que analisa produção de camarão e seus impactos ambientais na região do baixo São Francisco

A ação faz parte do edital para Áreas Estratégicas do Alto Sertão e Baixo São Francisco
12 de Abril de 2019 | 12:26

Com o objetivo de subsidiar o planejamento e a gestão de recursos na criação de camarão (carcinicultura) no baixo São Francisco, pesquisadores estão buscando diagnosticar fatores que contribuem para a contaminação ambiental nesta cultura, por meio de um projeto desenvolvido com o apoio do governo do Estado, através do edital para Áreas Estratégicas do Alto Sertão e Baixo São Francisco, lançado em 2018 pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec).

O projeto busca ainda informações sobre as atividades da carcinicultura do baixo São Francisco, a fim de possibilitar a elaboração de um plano de manejo adequado, que vise essencialmente à sustentabilidade dessa atividade. O trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

Serão monitoradas durante o período de execução do projeto, quatro fazendas produtoras de camarão, distribuídas de forma a representar toda a região delimitada. As propriedades estão localizadas nos municípios de Pão de Açúcar e Igreja Nova, em Alagoas, e nos municípios de Propriá e Brejo Grande, em Sergipe. 

Análise

As análises serão realizadas a partir da coleta do sedimento, que segundo coordenador do projeto, Silvânio Costa, é fundamental no processo de produção do crustáceo. “A produção do camarão é realizada com o arremate ou acúmulo de água embaixo do reservatório, chamado viveiro. O camarão vive dentro do sedimento, que é o compartimento em que há o depósito desses materiais, ração ou outros, que venham a ficar na água. Assim, o crustáceo fica enterrado e se alimenta das bactérias e ração que é jogada e que vai para o fundo”, explica. 

As amostras de sedimento utilizadas na análise, serão coletadas do fundo dos tanques e dos canais de abastecimento. “A ideia foi estudar o quanto tem sido acumulado durante a produção do camarão no sedimento, e para isso, estamos fazendo coleta destes materiais nos viveiros, nos tanques, e nos canais de captação e drenagem, que é onde há o escoamento da água para fazer a despesca do camarão”, ressalta o coordenador.

Etapas

A primeira etapa do projeto foi a identificação e seleção da área e região das fazendas que seriam trabalhadas, onde foi necessário uma reunião organizada juntamente com a Fapitec e com produtores, em Brejo Grande. Na etapa seguinte, os pesquisadores visitaram as fazendas, para solicitar informações sobre como acontece o manejo da produção. 

“Passamos para os produtores nossa estratégia de monitoramentos, acompanhando os ciclos produtivos nessas fazendas. Então, fizemos coleta em três momentos nesses viveiros: antes do povoamento com camarão; durante a presença do crustáceo no local, ou seja, um tempo intermediário; e na despesca, acompanhando assim todo o ciclo de produção”, expõe Silvânio. 

A pesquisa encontra-se no primeiro semestre de execução e após a coleta do material seguirá para a fase de análises. “Já fizemos algumas coletas com sedimento, porém, ainda não fizemos nenhuma análise química dos possíveis contaminantes nesse material, porque ele precisa ser processado até chegar a esta fase. Estamos realizando o tratamento dele em laboratório, ou seja, secando, segregando, diminuindo granulometria e daí a etapa seguinte será realizar as análises espectroanalíticas”, conclui.

Meio Ambiente

Um dos objetivos da pesquisa é identificar se a produção da carcinicultura está influenciando o meio ambiente. A proposta é identificar se isso está ocorrendo e de que forma, identificando de onde a contaminação seria proveniente.  “Os produtores têm o cuidado em relação ao monitoramento da qualidade da água, uma vez que a água influencia na produção, mas eles não se atentam para a importância entre água e sedimento, e não fazem o monitoramento dele”, ressalta Silvânio Costa. 

Ele observa ainda que logo que ocorre a despesca dos viveiros, o material é arrastado com a água, e consequentemente, vai para canais de drenagem, chegando a riachos ou rios próximos. “Após a despesca eles fazem o manejo do solo dos viveiros e acabam retirando algum material que fica ali, depositando-o em alguma área nas proximidades ou no próprio terreno. Esse acúmulo de material no sedimento é que vai nos indicar se está ocorrendo contaminação ou não”, revela. 

Equipe Multidisciplinar

A equipe do projeto é composta por quatro pesquisadores: o coordenador da pesquisa, Silvânio Costa, que faz parte do Laboratório de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (LTMA) e o professor Carlos Alexandre, do Laboratório de Química Analítica Ambiental (LQAA), ambos da UFS. Participa ainda a professora Cristiane Nascimento, do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS), e o pesquisador Marcos Vinicius, da Companhia de Desenvolvimento do Vale São Francisco (Codevasf). 

A pesquisa conta também com os bolsistas Joel Marques, da graduação de Geologia; Soanne Emylly, do Mestrado de Engenharia Ambiental; Igor Santos, do Mestrado de Recursos Hídricos; e Gustavo Andrade, da graduação Química Industrial; além do apoio técnico de José Augusto, Doutorando do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFS).

Para o bolsista e aluno de Iniciação Científica, Gustavo Andrade, sua participação no projeto é engrandecedora para sua formação. “Estou presente desde a revisão bibliográfica, além da coleta, preparação de amostra e, possivelmente, no tratamento dos dados. Eu como aluno de graduação estou muito honrado em participar desse projeto, que acaba fornecendo dados importantes para o baixo São Francisco, visto que a carcinicultura é uma atividade importante da região. Fazer o monitoramento tanto superficial, como de perfil, verificar se há uma ação antrópica ou não, e reduzir ao máximo esses impactos, acaba sendo relevante para o meio ambiente e todos que vivem ali”, ressalta. 

Igor Santos, formado em engenharia química pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e que recentemente concluiu o mestrado em recursos hídricos, tem participado do projeto desde o contato com os fazendeiros da região. Ele acredita que a partir dos dados resultantes da ação, os produtores poderão melhorar os seus métodos de produção. “Acredito que seja um trabalho de uma relevância e de um impacto muito positivo para o estado, e através das informações que a gente pode extrair dele, vamos ter um diagnóstico de como está o trabalho da carcinicultura na região, incentivando os próprios produtores a melhorar os métodos de produção”, aponta.

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